Que raio de email este.
São 3 da tarde diz-me o relógio de pulso. Por sinal tenho andado algo aborrecido com esta história do relógio.
Durante uma série de tempo usei o mesmo relógio de pulso, pode-se dizer até que lhe ganhei algum apego, coisa que nem é muito comum pois tenho a tendência para não me deixar apegar à maioria dos objectos que me rodeiam. São só coisas e nem sequer são minhas. Um dia quando morrer não vou poder levar nenhum deles comigo nem me fariam qualquer tipo de utilidade, logo não há grande razão para desenvolver uma relação com elas; com o relógio no entanto a coisa foi diferente.
Diga-se de passagem que é um relógio barato, aliás do mais barato que há. Tenho quase a certeza que não dei mais do que 5 euros por ele numa qualquer superfície comercial. Foi um daqueles momentos da minha vaidade idiossincrática. Fez-me lembrar tempos em que os relógios com mostradores digitais não existiam e como os relógios de pulso foram um dos grandes desenvolvimentos da primeira guerra mundial. Até para matar dá jeito saber as horas. Enfim, isto num espaço de segundos entre o ver o relógio no expositor e o andar da fila para pagar. Acabei por meter o relógio no meu conjunto de coisas e assim veio a estar na minha posse sem grandes complicações ou histórias digas de nota.
Usei-o sem interrupção durante anos, ao ponto de o seu metal outrora luzidio e capaz de enganar o olhar mais desapercebido do real valor da bugiganga se ter tornado acobreado e ter ganho uma patina que aos meus olhos ainda o tornava mais atraente. Aquela patina tinha sido ganha em contacto com a minha pele e o meu suor. O relógio ganhou em personalidade aos meus olhos e apesar de não pensar sequer nisso de uma forma consciente o facto é que estava de tal forma a ele apegado que era a primeira coisa que colocava no meu corpo logo após sair do duche, isto porque não era à prova de água senão provavelmente tomaria banho comigo todos os dias.
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