segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Acho que não tenho grandes problemas com a administração de emoções, com essa posso eu bem. Nunca tive grande tendência para ser uma pessoa demasiado emotiva e tomo cuidado para não deixar com que as minhas emoções me toldem a vista por assim dizer. Há apenas uma rara excepção que confirma a regra que ocorre quando conduzo. Quando conduzo sinto-me protegido encafuado dentro do meu fato de metal com 4 rodas e um airbag à minha frente no volante e sinto-me seguro o suficiente para me dar ao luxo de largar todas as sensações de frustração e de raiva que a estupidez de outros condutores produz em mim. Praguejo como um marinheiro e solto pragas e maldições terríveis. Dou-me a esse luxo pois ninguém vai perceber do lado de fora do que eu estou a fazer e porque sei que as pragas e maldições não passam de superstições sem dentes. Bastou-me um episódio no entanto para me aperceber que fazer o mesmo fora do carro nos põe em perigo físico e apesar de não ser covarde também não sou estúpido e sei que com o meu físico não me posso dar o luxo dessas brincadeiras.

Tenho por norma evitar demonstrações de emoção ao lidar com outras pessoas e mesmo em relação às minhas amizades mais próximas costumo manter entre nós uma almofada de segurança. Também lhe dei nome, é a minha cara do "não me chateia". Treinei bastante para ser capaz de a evocar mesmo em frente a acontecimentos que poriam outra pessoa fora do sério e acabei por me tornar bom a controlar emoções graças a ela. Se consegues fazer com que a emoção não transtorne os músculos da tua cara então ela não é capaz de transtornar o que está dentro do material gelatinoso a que chamam cérebro. Dito e feito, como se um passe de magia homeopática imitativa se tratasse.

Isto tudo por uma boa razão, uma razão egoísta é certo, mas que não deixa de ser válida. Fazem-me confusão as pessoas demasiado emotivas. Tenho dificuldade em manter uma relação estável com elas e é-me praticamente impossível criar laços duradouros. Cansam-me e não consigo perceber muito bem como é que não se cansam a elas próprias. Talvez estejam de tal forma cansadas com elas próprias que o seu único divertimento é cansar as que as rodeiam e ainda tem pachorra para as aturar. Isto não quer dizer no entanto que desista assim do pé para a mão de manter uma amizade com uma pessoa que seja emotivamente exaltada ou que a rejeite de todo; dou-me é a mim próprio a benesse de criar um resguardo que me permita proteger-me dos misseis emocionais tácticos que possam disparar à minha volta. 

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