Tenho por norma evitar demonstrações de emoção ao lidar com outras pessoas e mesmo em relação às minhas amizades mais próximas costumo manter entre nós uma almofada de segurança. Também lhe dei nome, é a minha cara do "não me chateia". Treinei bastante para ser capaz de a evocar mesmo em frente a acontecimentos que poriam outra pessoa fora do sério e acabei por me tornar bom a controlar emoções graças a ela. Se consegues fazer com que a emoção não transtorne os músculos da tua cara então ela não é capaz de transtornar o que está dentro do material gelatinoso a que chamam cérebro. Dito e feito, como se um passe de magia homeopática imitativa se tratasse.
Isto tudo por uma boa razão, uma razão egoísta é certo, mas que não deixa de ser válida. Fazem-me confusão as pessoas demasiado emotivas. Tenho dificuldade em manter uma relação estável com elas e é-me praticamente impossível criar laços duradouros. Cansam-me e não consigo perceber muito bem como é que não se cansam a elas próprias. Talvez estejam de tal forma cansadas com elas próprias que o seu único divertimento é cansar as que as rodeiam e ainda tem pachorra para as aturar. Isto não quer dizer no entanto que desista assim do pé para a mão de manter uma amizade com uma pessoa que seja emotivamente exaltada ou que a rejeite de todo; dou-me é a mim próprio a benesse de criar um resguardo que me permita proteger-me dos misseis emocionais tácticos que possam disparar à minha volta.
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