Isto tudo para dizer que para um relógio de pulso de ponteiros serem 3 da tarde ou 3 da manhã é igual ao litro. Ao olhar para o meu relógio de pulso penso na sua incapacidade de distinguir o dia da noite e que apesar de ter os meus ciclos de sono completamente desregulados que eu ainda o sou capaz de fazer.
Às 3 da tarde estou à frente do computador com uma chávena de capuccino na mão a tentar acordar, a ler um email do qual não consigo descortinar grande coisa de um amigo que já não ponho a vista em cima há umas semanas. Confere. Se fossem 3 da manhã agora, neste preciso momento... imagino que estaria a tentar perceber o que leva a um casal de idosos a enfrentar o frio para depositar os seus restos de comida no passeio de uma das ruas que ladeia o Jardim da Sereia para alimentar uma população de gatos que lá vive.
Por alguma razão preferia estar a tentar perceber isso do que o email que tinha recebido. Enfim, nada a fazer, a claridade que invadia o meu escritório sem permissão não me dava esse luxo. Não era possível fazer de conta que não eram 3 da tarde.
Olho para lá para fora, para as nuvens que encobrem o céu. Olho de volta para o meu computador e mesmo por baixo do email do Pedro o plugin do AccuWeather indica igualmente nuvens cinzentas com probabilidades de chuva. O mundo digital parece estar de acordo com o analógico. Ambos franzem o sobrolho na antecipação de um possível contratempo o que acto contínuo faz com que eu faça o mesmo.
Dou uma leitura na diagonal ao email de novo passando rapidamente pelas partes mais melodramáticas que me provocam um bocejar involuntário e pergunto-me a mim mesmo porque é que ele achou que o que escrevia me diria alguma coisa? Encalho na palavra resiliência.
É-me familiar e agrada-me. Uma boa palavra, muito mais refinada do que resistência que ao seu lado sofre da mesma falta de interesse que uma sandwiche de queijo tem ao lado de um cachorro completo com cogumelos, batata palha e uma série de molhos. Primas as duas, mas de significados diferentes, embora o significado da primeira não me estivesse completamente explícito na mente. Decido fazer uma busca rápida pela wikipedia que cita a tese de George Souza Barbosa dizendo que Resiliência é uma amalgama de 7 factores: Administração das Emoções, Controle dos Impulsos, Empatia, Optimismo, Análise Causal, Auto Eficácia e Alcance de Pessoas. Faço uma auto-análise rápida tentando perceber se sou mesmo dono de uma resiliência capaz de suscitar inveja por parte de terceiros e concentro-me em cada um dos factores.
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